quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Não venha

Se não for ficar, não venha.
Não preciso disso agora.
E por mais que seu coração tenha
Pena que já passou da hora.

Não há nada pior que o "tarde demais"
Chegará o momento perdido 
E se assustará quando olhar pra trás 
O que era vivo, está ferido.
Virou tudo guerra, o que era paz

Tentei lhe convencer,
Tentei lhe mostrar.
O que meu carinho 
Ainda podia lhe dar.
Mas você não fez juízo.
Preferiu arriscar.
Trocou todo o meu sorriso
Pela incerteza do lado de lá.

Se não for ficar, não venha.
Já que agora eu não sei mais.
Se eu quero você e a sua cena
De dizer que nós dois somos iguais.

terça-feira, 8 de abril de 2014

6. Sobre Thomas e Ana



               
 




           Ana acostumou a nunca sumir de vez. Grande parte dessa mania dela era minha, é claro, mas ela tinha a necessidade. Tinha certeza que ela já não me amava como antes, mas ela não conseguiria viver com o fato de eu ter superado ou ido atrás de outra pessoa que pudesse me fazer feliz. Não me queria de volta, mas também não me queria distante o suficiente pra esquecê-la.
 − Hey Thomas, por onde anda? Estou com saudades!
− Estou dormindo, Ana.
− Mas já está tarde.
− Não tenho compromissos de manhã. Preciso desligar depois nos falamos.
− Eu te odeio Thomas. Você não era assim!
− Não sou mais idiota.
− Vou desligar, te ligo amanhã.
E ela me ligou no outro dia. Fui mais simpático. Era algo insano e não fazia bem nem pra ela e muito menos pra mim, mas eu já estava acostumado. Não conseguia enfrentar meus medos havia bastante tempo e com certeza seguir em frente e ‘’provavelmente’’ perde-la não fazia parte de um coração acomodado. Levantei da cama e havia sobrado um último cigarro do maço. Resolvi não fumar. A casa estava uma zona. O sol do céu nublado invadia a frestas das cortinas, revelando algumas roupas jogadas pelo chão, algumas garrafas, CDs e ingressos de shows. Preparei um café sem açúcar. Não por preferências, mas havia acabado o açúcar. Eu odiava café sem açúcar. Tentei trabalhar no romance que havia começado algumas semanas atrás. Sem muito sucesso. Falava sobre a Ana. Mas a mesmice perseguia cada verso meu. O telefone tocou mais uma vez.
− Thomas, o pessoal da banda chegou. Não era a Ana.
− Chris, você não tem a chave do bar?
− Sim, Sr. Thomas, mas eles estão perguntando sobre coisas que o senhor sabe que eu não entendo nada disso.
− Chris, pare de me chamar de senhor, sou mais novo que você! Sirva umas bebidas pra eles, eu chego ai em quinze minutos. Passei em uma cafeteria e comprei um café decente e comi qualquer coisa enquanto dirigia o velho carro do meu avô. O Chris parecia nervoso, quando cheguei e logo vi o porquê, nada ligava. Nenhum amplificador, nenhuma corda fazia barulho. Antes mesmo de cumprimentar qualquer um dos músicos, fui mexendo nos cabos, tomadas e nada. Então chamei o Chris atrás do balcão.
− Você conferiu o disjuntor?
− Eu disse que não conhecia muito bem dessas coisas Senh... Quer dizer Thomas.
*
                 Em uma hora e meia, os músicos haviam terminado de fazer a passagem de som e consumiram muito mais do que eu havia oferecido de inicio como parte do cachê.
− Thomas, você tem cara de músico quer arriscar alguma coisa?
− Quem sabe mais tarde.
                Com tudo certo no bar, resolvi voltar pra casa. Tinha em mente arrumá-la ou algo do tipo. Cheguei em casa decidido e depois de tanta bagunça retirada, estava exausto. A ressaca havia batido. Tomei um curto banho e apaguei na cama.
                No sonho era tudo muito confuso e ao mesmo tempo intenso. Muita música, muita gente, muito sorrisos. Eu andava em um labirinto dentro de uma enorme festa, onde toda cor reluzia e nada parecia fazer sentido. Às vezes jurava que via um cachorro falando, outra hora pessoas atravessavam paredes. Era como sonhar com um efeito alucinógeno de uma droga qualquer. Então, eu ouvia alguns acordes de um violão e o som cortava todas as confusões, o barulho ia diminuindo e o som do violão ia se destacando. Eu podia ver uma banda tocando e então uma menina em frente ao palco. Ela sorria singularmente e ao redor dela havia algo diferente, era como se a paz ou a esperança a cercasse. Ela era baixinha, cabelo liso loiro, usava um batom vermelho, uma blusa um pouco larga com uma estampa de uma caveira pirata, uma calça jeans comum e cantava fielmente a letra junto com a banda.
Eu despertei no exato momento em que ela olharia pra trás e veria seu rosto. Clichê. Clássico de todo sonho. Nada de momentos épicos como enfrentar a própria morte. Sempre se acorda no exato momento que se morre. Nunca saberei se é algo bom ou não. Parti para o bar. Havia uma fila boa lá fora. Chris me viu entrando e parecia agradecer a Deus por isso. Ele não estava em um bom dia. Fui para de trás do balcão e comecei a trabalhar. Depois de muito tempo com um bar aberto, você começa a fazer algumas amizades. Muito pelo interesse de manter clientes, e da parte deles, quem sabe, ganhar uma rodada de graça. O bar estava quase lotado. Convoquei a banda para tocar. Eles estavam animados, não era uma grande banda, se chamavam “Brazilian English”. Não era nome de banda que faria sucesso, mas estavam empolgados e isso que realmente importava pra mim. Eles prometeram um show de uma hora e meia, tinha que ser algo bom. Durante essa uma hora e meia, eu investi em beber, já que o gerente noturno havia chegado e podia me aliviar um pouco. A banda era boa, tocava algumas músicas do The Strokes, Beatles, Arctic Monkeys e algumas de autoria da própria banda. Brazilians English. Que era o ponto fraco do show. Quando o show alcançou seus quarenta, cinqüenta minutos eles investiram em algumas músicas mais calmas. “Champagne Supernova” do Oasis e então me chamaram.
− Nosso querido amigo Thomas nos prometeu uma canção. Por favor, suba ao palco.
                Podia ouvir os gritos, as pessoas não esperavam tanto quanto eu, mas eu subi.
− Queria agradecer a todos que vieram, aos meninos do Brazilians English, depois vamos conversar sobre esse nome... Enfim vamos tentar algo por aqui.
Pedi para que tocassem Yellow, do Coldplay. Por sorte ou azar, eles sabiam.
                Comecei a cantar, era um total desastre, estava bêbado, com uma voz rouca. Alguns aplaudiam, alguns sorriam e meus olhos se mantinham fechados e me sentia um cantor naquele momento.  O mundo era meu, o palco era meu. Eu estava feliz. Então os sons sumiram, eu só ouvia o violão, os acordes abafando todo o redor, não sei exatamente se eu parei de cantar ou não podia me ouvir. Então abri os olhos e ela estava lá. Loira, baixinha, com sua blusa branca e calça jeans. Ela cantava a música com o sorriso reservado aos cantos da boca. Eu larguei o microfone, comecei a abandonar o palco e fui me aproximando, ela mantia os olhos ligados aos meus e cantava a música. Quando estava a um metro dela, ela olhou para trás. Quando olhei, Ana estava ali parada exatamente onde eu estava nos meus sonhos. E então, ela olhou para mim de volta.
− Olá, eu sou o Thomas. E eu acho que você percebeu que  não sou cantor.
− Eu sou a Marcelle, uma “quase grande fã”.
− Você é um sonho.
                Eu a beijei e agradeci aos céus por ter arrumado o meu apartamento.




quinta-feira, 27 de março de 2014

Longe de mim

Não se importe se eu sumir
E por aí ficar, decidir me esconder.
Da luz, do som, do que bate tanto.
O que faz bem ou mal ao coração.
Eu não quero mais, 
viver histórias Sem finais.
Quero um novo alvo 
Algo que me traga paz.
Você parece não saber 
O que pode fazer comigo.
Pode parecer fraqueza,
Mas tente entender
Não posso ser só um amigo.
Escrevi uma história 
Onde eu só sorria.
Mas onde vivo, você caminha
Para aonde eu jamais alcançaria 
E estender as mãos ou gritar 
Não vai adiantar, você tapou os ouvidos.
Pra quem sempre quis te amar.

terça-feira, 25 de março de 2014

Tempos, ventos e outras sobre ela

Passava o tempo e eu escrevia sobre ela.
Mudava o vento e eu escrevia para ela.
Eu a esperava na mesma casa. Eu a esperava com o mesmo sorriso.
E tudo que se passava um pedaço de mim levava.
E todas que passavam um pouco de cada dor curava.
Mas tudo que se passava em nada apagava.
E enquanto eu escrevia sobre ela, ela dizia que eu só falava de amor.
E mais ventos e tempos e outras.
Mas a dor é em si a cura. 
O fim da minha procura, é a mesma que me fez procurar um motivo para ser acordar.
Mas é só de amor que eu sei falar,
Ela não quer mais ouvir, sobre algo cansativo.
Como ventos e momentos divertidos
Não há aventura em um estável história de amor, só a certeza de algo bom.
Mas pra ser feliz assim, 
não pode ter jogo. 
Talvez seja um dom.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Ao inicio

ela me liga, ela me avisa.
-ligue o rádio, vão falar de nós.
é uma música antiga, sobre voltar ao começo.
é uma música eterna, onde depositamos sentimentos.
digo que a amo. E ela já não liga pro resto do mundo.
ela é meu ponto fraco e o que me dá mais força.
-eu também, dane-se o mundo! Demais demais.
aquela canção que nunca mais havia tocado.
e nós dois cantando, mesmo longe, estávamos, de novo.
APLAUSOS. mais uma vez, frente a frente. e um fundo desfocado por trás.
e nos amamos por 5 minutos e 10 segundos.
a música continuava e podia durar pra sempre.
vamos durar pra sempre. Voltaremos ao inicio