Ela vai sobreviver, porque dor pior do que essa, ela já teve antes. E você se lembra disso por causa daquela conversa sobre tragédias pessoais que tiveram num bar.
Ela vai seguir em frente, vai conseguir dormir sozinha no frio e não reclamar mais de frio nos pés, querendo a sua companhia, porque em algum lugar do mundo que ela esteve, bem antes de você chegar, ela já achou que fosse morrer de frio. E não morreu.
Ela vai equilibrar cérebro e coração no mesmo patamar, ainda que sejam nos quadros que você deixou para serem pendurados na parede dela.
Ela não vai mais precisar de você pra pendurar a luz, ou abrir o vinho depois da rotina estressante.
Você vai sentir falta do sorriso fácil e do coração aberto com que ela te recebia todas as horas, ou das piadas sem graça que ela contava e esperava pela risada que sabia que não vinha.
No fim ela vai lembrar de quantas vezes já passou por fins, por meios e começos, e vai seguir sem vontade, sem esforço. Lamentando por um tempo ter te perdido sem perder, mas esperando que venha alguém melhor pela frente.
Com tudo que ela vai encontrar no caminho pra te esquecer, eu te digo uma coisa:
Ela vai sobreviver.
E no final, você vai ser o rascunho de uma memória que ela cansou de escrever.
por Ana Clara Rodrigues
quarta-feira, 1 de julho de 2015
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Desamor
Quando é você quem ama mais
E o outro não corre atrás
A felicidade não é capaz
De compensar toda a falta de paz
Quando é você quem ama mais
E acaba pedindo desculpas
O perdão é uma via de mão dupla
Mas não é assim que se faz
Não é assim que você faz
Quando é você quem ama mais
Quando é você quem ama mais
E o silêncio só faz machucar
A distância só faz aumentar
O vazio que se cria
Quando você só se vê afastar
E não há momentos bons que ajudem a recomeçar
Quando é você quem ama mais
E o orgulho não te deixa capaz
De deixar tudo pra trás
E pedir se quiser ficar
Não só parado aí
Observando, vendo-a partir
Quando é você quem ama mais
Não há mais o que entregar
Não há mais esforço a se fazer
Quando tudo que eu queria era você
Quando sou eu quem te amo mais
Fui eu quem te amou mais
Devolva-me meu coração e minha paz
Eu não quero te amar mais
Por Beatriz Knippel
Eu não quero te amar mais
Por Beatriz Knippel
sexta-feira, 26 de junho de 2015
a que é do mar
Eu ainda estava de olhos
fechados quando ela desenrolou suas pernas das minhas, tentou não fazer muito
barulho ao se levantar. Abri os olhos brevemente para espia-la, ela jogou os
cabelos para trás e eles alcançavam as covinhas que ela tinha no fim das
costas. A cortina se mexeu com o vento e quando ele a alcançou, ela se arrepiou
antes de chegar ao banheiro. Eu juro, aquele momento, aquele desfile, podia ser
eterno eu não ligaria de viver para sempre uma manhã com ela.
*
Ela me ligou na noite anterior era por volta de duas da
madrugada havia loucura em sua voz, ela já não entendia muito bem o porquê de
certas coisas estavam acontecendo. Como já não amava só o seu marido, como já
não queria ficar na mesma casa de sempre, como queria sair esquecer tudo e
viajar o mundo. Ela tinha tudo para mudar, crescer, talvez se encontrar como
sempre quis, mas o medo parecia estar preso a ela, amarrado em seu pé através
de uma corrente e pesando uma tonelada. Quando a encontrei, ela não conseguia
olhar nos meus olhos só acendeu um cigarro e me deu as direções de onde ela
precisava ir. Conectou o celular dela ao carro e colocou uma daquelas músicas horríveis
que ela tanto adorava.
- Eu preciso sumir.
- podemos fazer isso, mas preciso colocar
mais gasolina.
- você sabe que não poderia ir comigo, não
é tão simples.
Ela tinha essa mania, se refugiava em mim, mas não dava brecha
para eu me entregar. Mas já era tarde demais. Eu me perdia naqueles olhos que
não carregam uma promessa de futuro, mas me faziam querer tudo ao lado dela. Chegamos
aonde ela queria ir era uma mureta ao lado de uma praia, já era tarde e não
havia ninguém. Era perfeito.
- o que você sente
quando pensa em mim?
- eu me sinto com mais
coragem, mais vontade das minhas loucuras. Odeio essas perguntas.
- então me dê essa
chance.
- não posso seria
sacanagem com ele.
- mas foi ele que te
abandonou mais uma vez a essa hora.
Ela segurou minha mão e olhou nos meus olhos, eles diziam “não
faça isso”, mas ela se aproximava e se aproximava mais e então já não ouvia
mais o que seus olhos diziam e me beijou. Era como a primeira vez de novo, frio
na barriga, redenção, algo assim... Não havia ao certo como definir.
- E você o que sente ao
pensar em mim?
Eu sorri, voltei para o carro sem respondê-la.
- eu te odeio, vamos
embora logo.
Ela
odiou a música que escolhi, mas não mudou, encostou a cabeça em meu ombro e pôs
a mão em minha coxa, não disse nenhuma palavra até chegarmos a minha casa. Quando
entramos ela foi direto para meu quarto e na pressa de uma possível loucura me
arrastou pelo braço e dali não pude sair.
*
Ela saiu do banho, estava secando cabelo e olhava pra mim.
Pendurou a toalha na janela. Ficou parada no pé da cama e me olhou durante
alguns segundos, acendeu um cigarro, segurou meu pé e segui em direção a porta.
- eu sinto que tudo sempre
pode melhorar.
- você está acordado? E
do que você está falando?
- o que eu sinto
quando penso em você... eu penso que tudo pode melhorar, sempre. Não podia
deixar você ir embora sem te falar isso.
- eu não vou embora,
vou só fazer um café.
Ela saiu sorrindo e sumiu pela porta e eu estava rendido jogado
na cama, refém do meu próprio porto seguro, afogado nela que veio do mar e
feliz em não saber o meu destino.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
retrovisor
Você
diz não acreditar quando digo o que sinto,
Mas
eu sei que assim é mais fácil para você,
Mas
ainda sim vou conseguir ver que as coisas podem melhorar
É
isso que você esconde em seu olhar.
Me
dê mais uma noite e mostro uma forma diferente
Onde
podemos ser felizes e ninguém saberá da gente.
Você
percebe que não preciso dizer mais nada
Entrego
em minha pele pra onde você me arrasta.
Sei
que um dia estaremos livres
e
então seu sorriso fará parte do meu.
Estive
pensando em você de novo
E
o quanto você constrói o que idealizo como ideal
Cada
erro, cada acerto, cada pedra e local.
Pegue
o mesmo carro de ontem
Conheço
uma estrada pra nós
Mas
não olhe pelo retrovisor
Deixe
que o mundo nos deixe a sós.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
O que esconder
Deixo
transbordar em meu olhar
Coisas
que eu não sei dizer
Mas
evito encarar
O
medo que pode conhecer
A
ansiedade parece normal,
Mas
é só a vontade de não errar
Saber
que o tempo é informal
E
leva de nós a calma de pensar.
As
consequências em achar
As
rimas nos meus sentimentos
Te
levaram a imaginar
Que
me rendo ao sofrimento.
Mas
te peço não se deixe levar
Pelo
tradicional julgamento
Eu
procuro deixar o tempo marcar
A
ordem natural dos acontecimentos.
Amanhã
volte a sorrir
Pro
meu dia começar
Bem
como sentir,
No
verão, a brisa do seu mar.
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